Postado em Veio na cabeça | July 7, 2012 at 1:51 pm
No vai e vem da vida, paro e me pergunto o que é real, o que é realidade. O que de fato aconteceu, o que foi sonho ou só lembrança. Hoje eu posso te contar uma história de um jeito, amanhã posso te contar de outra forma. Não que eu seja mentiroso, mas por que ao contrário do que sempre dizem, é possível mudar o passado. Cada vez que olho pra trás interpreto de uma forma diferente a depender de onde eu esteja, do que eu sinto, do que já aprendi, já vivi, do que eu quero fazer.
E em todas essas vezes eu mudo o passado, e todas essas vezes, é verdadeiro. Não importam os fatos. Afinal de contas, mesmo uma fotografia pode possuir significados diferentes a a depender de quem fotografa, da máquina, do ângulo. O registro de um mesmo fato, depende de muitos fatores. Então eu repito a pergunta, que eu costumo me fazer: o que é realidade?
Um lugar horroroso pode se tornar incrivelmente belo se você estiver apaixonado, o melhor dia de sol do verão, com a temperatura mais agradável do ano, pode parecer o inferno se você está com raiva, ou chateado. O melhor emprego do mundo, com o melhor salário pode ser insuportável se você não faz o que gosta, mesmo que seu chefe seja um amor de pessoa. Assim como para uns jiló é bom e para outros é ruim. Então, será possível afirmar, com toda certeza: “jiló é bom!”?
É uma questão de escolha. Não há nada de errado em crer que as nuvens são feitas de algodão. Dentre tantas realidades, diante de tantas formas diferente de perceber a realidade, qual delas seria a mais real? Não importa. Cada um de nós vemos e sentimos as coisas de uma forma diferente, temos um mundo inteiro, e mesmo a sua realidade, não será sempre igual. Não se apegue ao que é real.
Fantasias podem ser tão reais quanto realidade, realidades podem ser irreais, verdades podem ser mentiras, mentiras podem ser mais convincentes. Não se apegue ao real. A realidade pode ser uma mera ilusão. Então, escolha a sua, não busque fazer como a maioria, não tente colocar na sua cabeça o que é e o que não é possível.
Se os prédios lhe sorriem e lhe dão bom dia, se os pássaros cantam para você, se você acredita em criaturas fantásticas, isso é tão real quanto tudo mais. Não tente se enquadrar. Você tem toda liberdade de acreditar no que lhe parece mais convincente, ou que lhe parece mais agradável, no final de tudo, não importam os fatos, fatos são imprecisos, não importam as verdades, a verdade é relativa.
Uma pessoa apaixonada enxerga no mundo mais cores do que talvez existam, mais possibilidades do que as que lhes foi dada, por que uma pessoa apaixonada, se torna um sonhador. E quem vai me dizer, de fato, quantas cores existem? Não quero entrar numa viagem estilo Matrix, essas especulações, façam vocês mesmos. Só quero dizer, que diante de tantas dúvidas, diante de definições tão dúbias, não faz mal viver de sonhos. Não faz mal viver de amores. E que diante de tudo isso, lhe cabe decidir, como você vai viver. Pule e voe, pinte um pedaço do céu, roube uma estrela. Você pode.
Vicente Reis

Postado em Veio na cabeça | March 27, 2012 at 11:58 am
- Mas eu te amo! O que eu preciso fazer pra você entender?
- Isso é ridículo! Sei lá, a gente mal se conhece.
- Duvído que o Romeu conhecesse a Julieta lá muito bem, e ainda assim ele a amava!
- Do que você tá falando?
- Romeu e Julieta, a história…
- Você é maluco! Você agora tá se achando o Romeu?
- Ah, você entendeu! Por que você ridiculariza tanto o que eu sinto?
- Cai na real, isso não é amor.
- Como você pode saber que não? Você sabe o que é amor?
- Não sei, e quem sabe? Mas isso não é!
- O que você tá falando sequer faz sentido… você é louca!
- Você é um estúpido! Diz que me ama e me chama de louca, você é que não faz sentido!
- Se eu fosse um Vinícius de Moraes você acreditava no que eu to te falando… Ou se fosse um desses galãs de novela.
- Você tem um sério problema de identidade, você quer ser o Romeu, o Vinícius, um galã de novela…
- Mas responda, seriamente, você acreditaria, não é?
- Essa é uma pergunta idiota, mas respondo… é claro! Como vou comparar o Vinícius de Moraes com você?
- Ele era um babaca, só que é um babaca morto! Aposto que em vida ele levou muito fora também. Depois que morre todo mundo dá valor!
- Então morre pra ver se eu acredito! Por Deus! Eu não sei onde você quer chegar!
- Eu devia mesmo! Me matar com uma gilete pra você saber o quanto eu sofri!
- Não dá pra se matar com uma gilete, animal!
- A morte é minha, eu morro como eu quiser!
- É humanamente impossível!
- Mas esse não é o ponto! Você não presta atenção!
- E qual é o ponto?
- Você é a única pra mim.
- Até aparecer um rabo de saia qualquer.
- Olha, eu vou embora. Não falo mais nisso, você nem vai me ver mais!
- É a vigésima vez que você me diz isso essa semana, você sempre volta com esse assunto.
- Então, pelo menos, me explique, por que vc quer se afastar de mim?
- Ah! Eu quero emoção! Eu quero alguém que me ame!
- Mas não é isso que eu tô te dizendo?? Eu te amo!! Por que você não acredita?
- Ah, não sei! Se fosse mesmo amor, a vida me daria um sinal, talvez o amor tenha cheiro de chocolate! Não senti cheiro nenhum com você…
- Desisto!
- Onde vai?
- Comprar gilette.
Vicente Reis
Postado em Veio na cabeça | March 7, 2012 at 11:37 am
- Alô!
- Alô, Heloísa? tudo bom?
- Tudo, quem fala?
- É o Jorge, moça! Já esqueceu de mim?
- Oi, Jorge! não esqueci, só não tinha mais seu número agendado.
- Quanto tempo, não?
- Sim! Como anda?
- Bem. Quer dizer… não sei responder isso.
- Como assim? Aconteceu alguma coisa?
- Não se preocupa, não sou portador de más notícias
- O que foi, então?
- Poxa, helô, eu sei que tem tempo que não nos falamos e eu disse que ia deixar tudo pra lá… mas lembra de quando nós estavamos juntos?
- Pô, Jorge, lembro, mas o que isso tem a ver?
- Sabe o que é, helô? Lembra de quando as coisas estavam ficando mais sérias e eu te pedi em namoro? Foi ali que a gente se afastou. Você não queria compromisso.
- Eu lembro. Não sei onde você quer chegar, mas diga!
- Eu quero te dizer o que não te disse.
- Como assim?
- Depois daquele dia, fiquei pensando no que te dizer e achei as palavras certas. Achei um jeito de dizer como me sentia. Sei que não vai mudar nada, mas eu queria pelo menos poder te dizer.
- Isso é um pouco estranho, Jorge. não sei se é boa idéia.
- Me deixa pelo menos falar.
- Bom, o que há de se fazer? Agora estou curiosa.
- Naquele momento você me disse que tinha medo de me machucar, de se machucar, que você ainda não tinha curado seus traumas.
- É verdade. Eu estava sendo sincera.
- Eu devia ter dito que nós não deveríamos medir a altura do tombo, que se pulássemos juntos, poderia acontecer o fantástico, poderia ser que não houvesse fundo, ou que criássemos asas, ou até, se houvesse chão, Deus se apiedasse de nós e amortecesse nossa queda, e não houvessem machucados… está me ouvindo?
- Claro! Continue!
- Então, continuando…e eu deveria dizer que eu nunca poderia te garantir nada disso, a única certeza que poderia te dar é que mesmo encontrando o chão duro, por mais forte que fosse o impacto, teríamos aproveitado a emoção e a maravilha da queda, e que nós conseguiríamos nos levantar, seguir andando, e mais tarde rir do tombo e a qualquer momento veríamos outro precipício onde talvez criássemos asas…enfim, é isso, hêlo!
- Nossa!
- Poxa, fiquei nervoso, o que achou?
- Uau, eu não sei o que te dizer…
- Seria diferente se eu tivesse te dito isso antes?
- Eu não sei como seria se você tivesse me dito isso naquele momento, sei que, agora, eu estou atordoada.
- Você aceitaria ser minha namorada se tivesse acontecido dessa forma?
- Olha, eu to confusa… mas, na verdade, eu acho que eu estava com medo, no fundo, queria que você tivesse me dito o que fazer. Ah! quer saber? Aceitaria sim.
- Nossa isso é fantástico! Isso me deixou feliz!
- Você realmente se sentiu assim de meu lado?
- Sim!
- Quer saber? O que acha de marcarmos alguma coisa, eu queria te ver. Parece que, no fim, aquela história ficou mesmo em aberto.
- Desculpa helô, não posso fazer isso.
- Como assim?
- É que eu vou casar em duas semanas.
- “Ôxe”, Jorge! Que loucura é essa? Você me liga, me diz um monte de coisas e agora fala que vai casar? Que maluquice é essa, rapaz?
- Eu só queria saber como teria sido, helô. Queria não ter que guardar tudo aquilo sem nunca ser dito.
- No fim, você é mesmo um idiota!
- No fim, sua opnião não mudou sobre mim, mas é bom saber que poderia ter mudado!
- Vai pro inferno, Jorge! Não vou perder tempo, vou desligar!
- Esper…
- *tu tu tu tu tu tu…*
Vicente Reis
Postado em Veio na cabeça | February 14, 2012 at 9:31 pm
Até onde você pode chegar? Quais dos grandes sonhos de amor de cinema, quais os grandes anseios você pode viver? Você pode chegar até onde você se permite chegar. Um grande amor? Mais de um? Noites especiais, dias maravilhosos, um por do sol tão mágico que chega incomoda pensar em tanta doçura? Pare e pense, mas pare e pense, realmente! Quantas vezes você teve a oportunidade de viver algo assim? Não minta para si mesmo, você teve.
E por que não aconteceu? Por que você não permitiu acontecer… por que naquela noite especial, você não quis criar expectativas demais, por que quando as palavras se entulharam em sua boca, você engoliu como quem recusa um vômito e não disse “eu te amo”, afinal de contas, era precipitado. Sempre é, né? Conversa!
Você preferiu achar que não era nada demais, você preferiu achar que talvez fosse melhor parar antes que aquilo ficasse sério demais, ou que não vale a pena gostar tanto de alguém, se expor tanto, se jogar de cabeça sem receber algo em troca que lhe permita fazer isso com segurança.
Com segurança? Me poupe!
Vale mesmo a pena ser tão raso, viver sempre à margem por medo de experimentar a imensidão dessa lagoa? Medo de cair? Quantas vezes você já se levantou de tantas e tantas quedas? Por amor, por trabalho, por problemas familiares, e você se levantou, a prova disso é que agora você está aqui lendo. Se você não tivesse resistido às quedas, você não estaria aqui. O tempo passa, o medo não é desculpa para ser raso.
Evitar as quedas. Pra que mesmo?
Ao longo de minha vida, uma curta vida, tenho apenas 23, vivi coisas que eu tenho certeza que muitas pessoas passaram a vida procurando. Não tenho medo de afirmar isso. Muitas pessoas viveram muito mais que eu, ou viveram outras tantas experiências intensas quanto eu, mais jovens, até! Mas eu sei que fiz mais que muitos que conheço. Só por que eu me permiti, por que eu achei outros caminhos a seguir. Machucados? Um monte! Dores? Nossa! Mas eu vivi momentos inesquecíveis.
Momentos impagáveis!
Se eu não fosse tão intenso, se eu não tivesse dado às pessoas que estavam do meu lado tanta importância, se eu não tivesse criado expectativas e vomitado tudo o que eu sentia, se eu tivesse sentido medo de parecer louco, exagerado, esses momentos não existiriam. Momentos, amigos, que com certeza levarei para a minha vida inteira, enquanto a memória permitir, lembrarei, enquanto o corpo me permitir, me excitarei com algumas dessa lembranças…
Eu saí do raso. Paguei meu preço, quase me afogo, mas ganhei a possibilidade de aprender a nadar. Não que eu já saiba, mas aqui é melhor que lá, lá só molho os pés.
Estamos molhando nossos pés! Estamos cada vez mais rasos, para nos proteger, para não machucar, para não nos machucar. Esperando o momento certo, a hora certa, a pessoa certa. Com medo de investir em algo que vai acabar. Tudo acaba, meu amigo, se não na vida, acaba na morte. O fim é o destino inevitável de tudo que começa. Não importa se essa relação vai durar um dia, dois, um mês, um ano, a vida. O que importa é ser inteiro, é viver tudo que aquilo pode te oferecer. Vinícius já disse, outros já disseram de outras formas, só estou a repetir: “que seja infinito enquanto dure”. O que importa não é onde você chega, mas por onde você passa. Existem momentos que não tem preço! São jóias da vida.
Por mais que seja tentador evitar, vou continuar, vou ser tanto ou mais intenso quanto sempre fui, vou continuar me expondo demais, darei importância quando, talvez, eu não tenha nenhuma para quem está do outro lado. Vou cada vez mais ao fundo. Ainda preciso aprender a nadar, mas disso o tempo cuida. Por isso, posso dizer que, sinceramente, vivi amores reais, desses de livro, de romance mexicano (e queria que todas elas soubessem da importância que tiveram), por que eu me permiti.
Não quero com isso dizer que amar é um ato solitário, pra ser maior os dois precisam estar do mesmo lado da lagoa. Mas se você se sente a vontade de ir fundo, vá! Você não vai se arrepender. Haverão muitas chances de tentar novos nados, haverão outras companhias, e não se preocupe com os injúrios, deles você se recupera, como todos os outros!
Vicente Reis
Postado em Veio na cabeça | January 20, 2012 at 6:22 pm
Pessoal, estamos adicionando uma nova categoria aqui no blog. Essa categoria não vai ter uma regularidade. São textos que escreveremos aleatoriamente quando vier na cabeça… Bom, segue o primeiro texto, espero que gostem.

Amor
Sempre desabafei minhas angústias escrevendo e-mails. Sempre deixei aflorar tudo que eu sinto em cartas, e-mails, mensagens e muitos destes nunca foram enviados. Foram tantas as cartas e mensagens que escrevi desde que criei uma curiosidade por amar… tantos amores platônicos, que eu julguei serem tão sofridos… até conhecer os amores reais. Esses são muito mais sofridos. Esquecer algo que nunca esteve ao seu lado, nunca fez parte de sua vida, é fácil! Mas esquecer um sorriso dado após um beijo, esquecer a respiração de quem se ama numa fala preguiçosa pela manhã, é muito difícil!
E eu notei algo sobre o amor. Não se trata de uma série de coisas que imaginamos. O tempo não define o amor, grandes atos não definem o amor, extravagâncias, loucuras, flores no campo, um por do sol, não, isso não é sobre amor. Isso pode fazer parte, mas não é disso que o amor se trata.
Passar anos ao lado de alguém, dar presente todo mês em aniversário de namoro, lembrar de todas as datas, ser capaz do ridículo por essa pessoa, abrir mão de tudo, ser sempre romântico, saber que a pessoa te corresponde, viver a dois, somente vocês dois, fazer planos para o futuro, conversar sobre os filhos que terão, sobre a casa que terão, sobre as futuras reformas, sobre a velhice! Até parece que isso é sobre amor. Não. Não é.
Não que pessoas que se amem, verdadeiramente se amem, não possam fazer isso, mas isso não é o que define esse sentimento.
As demosntrações mais lindas de amor podem acontecer em qualquer lugar, a qualquer momento. O gostoso de tudo é que a vida nunca te dará um dica de quando vai acontecer. O amor não acontece quando você quer, quando ou onde você achar que deveria. Vem como uma surpresa.
Às vezes, vivemos experiências completas, longas relações, convivência, planos, projetos e isso tudo não te ensina o que é amor plenamente. Mas um encontro aleatório em um momento aleatório, rápido feito um relâmpago, pode te fazer entender perfeitamente do que isso se trata.
O amor está em pequenos gestos, em um sorriso, dado de graça, sem expectativas, em um olhar de entrega. O amor está em um toque correspondido com paixão. O amor está em se importar com o outro, em dar-se de graça a essa pessoa. Não se deve abrir mão de nada por quem se ama, o amor não lhe cobra nada, sua vida não deve perder nada, deixar de ser o que era, o amor só a torna mais alegre. Loucuras de amor muitas vezes são atos egoístas! Existem atos muito mais sinceros para demonstrar o que se sente. E quando preciso, o amor está em deixar a pessoa ir, sem questionar.
Se você realmente se importa com alguém, você jamais fará nada para machucar essa pessoa, jamais cobrará nada, jamais podará sua liberdade ou deixará a pessoa ser responsável por você, por sua felicidade,jamais fará algo esperando algo em troca.
No momento de partir, deixe ir, não fazer um escandalo, não chorar, não brigar, não quer dizer que aquilo não é importante. No momento de partir, sorria, mostre o que você sente, o que você está sentindo, da forma mais sincera. Continue desejando bem a quem se ama. Isso não é abrir mão, não é ficar sem fazer nada, impotente, isso é mostrar que você se importa, realmente.
Vicente Reis
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