Raso, largo, profundo.

Postado em Veio na cabeça | February 14, 2012 at 9:31 pm

Até onde você pode chegar? Quais dos grandes sonhos de amor de cinema, quais os grandes anseios você pode viver? Você pode chegar até onde você se permite chegar. Um grande amor? Mais de um? Noites especiais, dias maravilhosos, um por do sol tão mágico que chega incomoda pensar em tanta doçura? Pare e pense, mas pare e pense, realmente! Quantas vezes você teve a oportunidade de viver algo assim? Não minta para si mesmo, você teve.

E por que não aconteceu? Por que você não permitiu acontecer… por que naquela noite especial, você não quis criar expectativas demais, por que quando as palavras se entulharam em sua boca, você engoliu como quem recusa um vômito e não disse “eu te amo”, afinal de contas, era precipitado. Sempre é, né? Conversa!

Você preferiu achar que não era nada demais, você preferiu achar que talvez fosse melhor parar antes que aquilo ficasse sério demais, ou que não vale a pena gostar tanto de alguém, se expor tanto, se jogar de cabeça sem receber algo em troca que lhe permita fazer isso com segurança.

Com segurança? Me poupe!

Vale mesmo a pena ser tão raso, viver sempre à margem por medo de experimentar a imensidão dessa lagoa? Medo de cair? Quantas vezes você já se levantou de tantas e tantas quedas? Por amor, por trabalho, por problemas familiares, e você se levantou, a prova disso é que agora você está aqui lendo. Se você não tivesse resistido às quedas, você não estaria aqui. O tempo passa, o medo não é desculpa para ser raso.

Evitar as quedas. Pra que mesmo?

Ao longo de minha vida, uma curta vida, tenho apenas 23, vivi coisas que eu tenho certeza que muitas pessoas passaram a vida procurando. Não tenho medo de afirmar isso. Muitas pessoas viveram muito mais que eu, ou viveram outras tantas experiências intensas quanto eu, mais jovens, até! Mas eu sei que fiz mais que muitos que conheço. Só por que eu me permiti, por que eu achei outros caminhos a seguir. Machucados? Um monte! Dores? Nossa! Mas eu vivi momentos inesquecíveis.

Momentos impagáveis!

Se eu não fosse tão intenso, se eu não tivesse dado às pessoas que estavam do meu lado tanta importância, se eu não tivesse criado expectativas e vomitado tudo o que eu sentia, se eu tivesse sentido medo de parecer louco, exagerado, esses momentos não existiriam. Momentos, amigos, que com certeza levarei para a minha vida inteira, enquanto a memória permitir, lembrarei, enquanto o corpo me permitir, me excitarei com algumas dessa lembranças…

Eu saí do raso. Paguei meu preço, quase me afogo, mas ganhei a possibilidade de aprender a nadar. Não que eu já saiba, mas aqui é melhor que lá, lá só molho os pés.

Estamos molhando nossos pés! Estamos cada vez mais rasos, para nos proteger, para não machucar, para não nos machucar. Esperando o momento certo, a hora certa, a pessoa certa. Com medo de investir em algo que vai acabar. Tudo acaba, meu amigo, se não na vida, acaba na morte. O fim é o destino inevitável de tudo que começa. Não importa se essa relação vai durar um dia, dois, um mês, um ano, a vida. O que importa é ser inteiro, é viver tudo que aquilo pode te oferecer. Vinícius já disse, outros já disseram de outras formas, só estou a repetir: “que seja infinito enquanto dure”. O que importa não é onde você chega, mas por onde você passa. Existem momentos que não tem preço! São jóias da vida.

Por mais que seja tentador evitar, vou continuar, vou ser tanto ou mais intenso quanto sempre fui, vou continuar me expondo demais, darei importância quando, talvez, eu não tenha nenhuma para quem está do outro lado. Vou cada vez mais ao fundo. Ainda preciso aprender a nadar, mas disso o tempo cuida. Por isso, posso dizer que, sinceramente, vivi amores reais, desses de livro, de romance mexicano (e queria que todas elas soubessem da importância que tiveram), por que eu me permiti.

Não quero com isso dizer que amar é um ato solitário, pra ser maior os dois precisam estar do mesmo lado da lagoa. Mas se você se sente a vontade de ir fundo, vá! Você não vai se arrepender. Haverão muitas chances de tentar novos nados, haverão outras companhias, e não se preocupe com os injúrios, deles você se recupera, como todos os outros!

Vicente Reis

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8   Comentários


  • Laís Camila

    Lindo!

  • Tayanecota

    Tenho vivido exatemente o que seu texto diz…sempre evito me aprofundar…fico no raso ainda nao tive coragem o suficiente para  me aprofundar,pra me  permitir e nem sei se um dia terei..

  • Missqueridinha

    É claro que o medo não pode impedir a felicidade, mas acaba influenciando…
    "Gato escaldado tem medo de água fria"… acho que é assim o ditado.

  • http://www.facebook.com/people/Adna-Novaes/100000007770720 Adna Novaes

    "Não há precipícios na vertigem do amor
    Só descobre isso quem se jogou."

  • http://twitter.com/Anna_Carolinne Anna Carolinne

    Me identifiquei MUITO com o texto!

    Você escreve muito bem cara…
    "Eu saí do raso. Paguei meu preço, quase me afogo, mas ganhei a possibilidade de aprender a nadar…." 
    Estou na fase de ter quase me afogado, a água ainda está nos pulmões, mas vai sair de lá. Tenho fé. ^^ 

  • Anonymous

    ..que coisa mais linda!!! Só tenho a agradecer!!!

  • http://twitter.com/vanessafreitas6 Vanessa Freitas

    Que texto perfeito, Vicente!! Essa sou eu… a medrosa que não consegue sair do raso!! Até tomei coragem de tentar mergulhar um pouquinho!! Texto bem elaborado, bem escrito e que me maltratou mais que uma surra hahahaha, mas uma surra necessária!! Parabéns e obrigada!!

    • ruimcomelas

      Ei! Muito obrigado, senhorita! De vez enquando uma surra vai bem, né? bjo!

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